sexta-feira, 29 de maio de 2009

Emoção de NOVELA! Fala Sério!

Olha a minha emoção!
Eu nem assisto mais novelas, chego em casa sempre cansada e preciso dar um pouco de atenção aos meus filhos. Geralmente são raros os dias em que tenho o privilégio de ter quantidade, mas sempre prezo pela qualidade de tempo com eles! Ontem, cheguei mais cedo em casa, brinquei muito com eles e foram dormir cedo. Uma raridade na minha vida... consegui comer em paz! Liguei a televisão para ver coisas banais e pensar em nada, pois minha cabeça já estava realmente cheia depois do dia de trabalho... De repente me deparei com uma cena da “novela global”! A situação era clara! Um médico se comporta de maneira ríspida com a personagem e sem dar muitas explicações examina o filho dela e sai do quarto do “pacientinho”! Nos capítulos anteriores (eu não havia assistido, mas é para isso que servem as nossas secretárias... para nos contar o que aconteceu na novela...) o médico atendeu o paciente na emergência e arrancou o menino muito doente dos braços da desesperada mãe que não entendeu nada! Ela , desnorteada... o que havia acontecido?? Achava que ele havia cometido um crime por agir daquela forma e o denuncia na polícia! Até que o pediatra antigo do filho entra no quarto do menino (já com a saúde devidamente recuperada) alguns dias depois, e explica a situação toda para a “descabelada” mãe e diz que ele arrancou o filho de seus braços porque o caso era grave e não havia tempo para explicar e ainda completa dizendo que se não tivesse agido tão rápido ela estaria naquele momento chorando a morte da criança. Ai vem a minha emoção... ver a mãe arrependida ir na delegacia retirar a queixa contra o médico! Tirando o romantismo da cena, que não vem ao caso, essa situação está no cotidiano de muitos médicos! Pena que nem sempre com finais felizes como este! Muitas vezes somos incompreendidos por familiares e pacientes por atitudes que as vezes não podemos explicar e passamos por mal educados! É lógico que não me refiro aqui a situações óbvias de erro médico! Mas é muito duro ver que o diálogo entre médicos e pacientes é tão complicado na maioria das vezes. O paciente não estudou medicina, mas tem inteligência suficiente para ir à internet, consultar um site e verificar as coisas, mas não é a mesma coisa que ser médico! Por outro lado o médico também tem que entender a situação de extremo desespero que um paciente se encontra frente a uma doença que ele não compreende.
Mas voltando à novela, é com extrema raridade que vemos a mídia abordar estes desencontros de informações e mostrar os dois lados de uma relação complicadíssima. O erro médico é abordado todos os dias por sensacionalistas, mas “erro do paciente” ou “erro do familiar do paciente” eu... sinceramente NUNCA havia visto!

quarta-feira, 27 de maio de 2009

A vida de um médico..

Erros, erros, erros e mais erros. Está tudo errado. Quem disse?? Alguém falou? Ouvi dizer que este é mais um caso de erro médico. Mentira!!! Sério??? E o assunto corre muito longe. Chamem todos, a notícia se espalhou para toda a família, toda a cidade, o mundo inteiro em algumas horas. Uma rede sórdida se forma em poucos instantes...
Enquanto isso... jaz um corpo numa cama úmida de hospital, misto de suor, mofo, num quarto nem tão escuro e nem tão silencioso. Já é manhã, mas ele ainda tenta dormir. Só mais um pouco...Preciso de mais um pouco...
Alheias ao moribundo médico que tenta dormir mais um pouco após um plantão muito cansativo, passam por ali umas amigas nojentas do chão, procurando os restos mortais de um sanduíche murcho, comido já no apagar das luzes. Os trapos que o cobrem estão sujos, cheiram a qualquer coisa ruim. Sem opções naquele momento a pobre criatura. Na verdade, aquela condição era a que menos o incomodava. O sono e o cansaço eram muito maiores.
A garganta começa a coçar, e ele desperta tonto com o som de uma maca passando no corredor do lado de fora.
A situação é essa. Ele assenta na cama, olha tudo em volta e pensa mais uma vez: que noite foi aquela? Sem ainda compreender bem, levanta-se com um peso enorme nos ombros e na cabeça que ainda lateja. Olha-se no espelho, pensa novamente: que noite foi essa? Estou péssimo, envelheci uns dez anos desde a última vez que me vi. O telefone celular toca e o tira daquele mundo de pensamentos. Uma voz bem fina e pueril fala do outro lado...
- Papai, estamos com saudades, que dia você volta pra casa?
Silêncio. Respiração profunda - Os olhos úmidos...
- Hoje à noite, meu amor!
- Poxa pai, você “tá” no hospital ainda hoje o dia todo? Porque você tem que trabalhar?
- É preciso minha florzinha!
- Papai... (ela enrola o dedinho pelos cabelos)... você traz um presente pra mim? Só pra eu lembrar de você?
- Está bem meu amor, vou ver o que posso fazer, certo? Um beijo...
- Um beijo...até de noite papai!
Silêncio...
- Amor? Você ainda está ai? Oi! Só ligamos pra desejar um bom dia. Vou levar a “pequetita” para escola, passar no mercado e depois vou pro consultório. Quer alguma coisa em especial pra comer à noite?
- Hummmmm... qualquer coisa tá bom querida. Bom dia pra vocês também!
Novo silêncio. Nova respiração profunda. Vamos lá, o dia ainda nem começou. Ainda tem mais doze horas que o separam da sua família, da sua cama, do seu chuveiro, de uma comida limpa, afinal temos que nos alimentar bem.
Ao pisar novamente no acelerador do carro, a paisagem passa rápido, o relógio ainda ganha da velocidade do asfalto, o estômago reclama daquele pão de ontem, mas não há tempo. Novamente o telefone celular toca. Apesar de estar errado...
- Fala meu amigo...
- Tá vivo ainda, cara? Já vou te dar más notícias! Você está encrencado! Lembra daquele paciente que você viu de madrugada?
- Qual deles? O que chegou mal na sala de emergência?
- Morreu agora pela manhã. A família está revoltada e disseram que vão te processar!
- E agora? Você sabe o que aconteceu, não é? Lembra aquela hora que eu te liguei pra contar dos exames dele?
- Eu me lembro, mas não adianta explicar pra mim! Vai explicar pro juiz, pra polícia e pra família que a culpa não é sua! Eu te liguei porque já está a maior confusão lá no hospital e acho bom você se preparar pra se aborrecer...
- Valeu pelo aviso meu amigo!
- Se precisar de mim, avisa. Aida vou ficar aqui de plantão até a noite...
Ainda meio que sem acreditar naquele dia, naquela noite, respirou fundo novamente. Não era a primeira vez que aquilo acontecia. Os desencontros entre pacientes e médicos são tão freqüentes. São opiniões e pontos de vista distintos... mas... isso nem importava mais. Ninguém entende mesmo o médico!